31/08/08
Toda idéia, ideologia, filosofia, saber, o que queiram chamar, possui explícita ou implicitamente um embasamento filosófico. Este embasamento diz respeito a como as idéias se estruturam para que seja possível obter as conclusões propostas pelo autor. Com esta página, creio que estarei finalmente completando o embasamento filosófico do meu blog, delineando sua ontologia (O quê?), sua epistemologia (Quem? – ainda que esta não esteja lá muito explícita, mas dá para entender), sua lógica (Como?) e agora finalmente sua ética!
Eu escrevi o blog primeiramente para expressar minhas idéias e registrar as minhas vivências de forma pública. Entretanto, sempre tive a idéia de que divulgar o meu blog não era algo necessário nem desejável. Aquele que porventura tivesse algum interesse que pudesse ter alguma relação com os conteúdos do meu blog acabaria me encontrando pelos buscadores da internet.
O tempo foi passando, eu fui acompanhando a repercussão do que eu publicava em termos de fluxo e comentários. Com isso, eu fui ficando cada vez mais interessado em dar visibilidade ao que escrevo, facilitar o caminho que pode levar os internautas ao meu blog. Nesse sentido entram as tags, recentes acréscimos aos meus posts, que indexam-nos em uma lista específica de posts do wordpress que compartilham aquela tag. É mais fácil de fazer pesquisas por assuntos desta forma.
Mas para que visar o aumento de fluxo no blog? O que importa, do meu ponto de vista, que me leiam? Será por acaso que é nada mais do que um alimento para o meu ego, um sentimento de status, de importância e de poder?
Não. Eu não extraio esse tipo de sentimento do meu blog. Quando muito, eu encontro satisfação em acompanhar o crescimento do meu arquivo, lento e constante, com as minhas experiências cruzando o tempo. Mas eu comecei a reconhecer os méritos de, enquanto um intelectual, expor as suas idéias e tê-las veiculadas. Eu sei que eu sou capaz de escrever coisas que fazem sentido. Muitas vezes, coisas relevantes mesmo para outras pessoas além de mim. Eu posso escrever coisas que inspirem, que motivem, que informem, que aprofundem, que divirtam, que emocionem. E existem outros sujeitos por aí que buscam esse tipo de coisa, como é o meu próprio caso. Além disso, essas outras pessoas têm a possibilidade de oferecerem um feedback. Elas podem me dizer que leram, que gostaram, que não entenderam. Podem até mesmo discordar, argumentar e melhorar as minhas idéias.
Escrever um blog é uma provocação. É uma provocação ao mundo e uma abertura para que o mundo me provoque. É uma tese, da qual eu sou o autor, ainda que não seja sobre um só tema, mas sim uma tese das minhas experiências. Mas essa provocação não será cega, não será aleatória, não será apelativa. Será uma provocação pertinente, uma provocação pessoal, uma provocação direta. Portanto, eu não vou entupir o meu blog de tags aleatórias para indexá-lo no maior número de locais possíveis. Não vou divulgá-lo aos quatro ventos para curiosos esporádicos. Ele será referido dentro do que for significativo tendo em vista seu conteúdo e sua intenção. Eu quero que ele seja encontrado por aqueles a quem o que eu expresso possa ser importante e possa proporcionar um contato positivo, construtivo.
E é por isso que o Somewhere They Can’t Find Me não é mais tão inencontrável assim.
Oh baby, you don’t know what I’ve done,
I’ve committed a crime, I’ve broken the law.
