Já não é a primeira vez que eu entro em férias e experiencio o mesmo fenômeno: uma volumosa torrente de idéias, aumentada capacidade de articulação de conceitos, maior facilidade na estruturação das idéias, maior facilidade na sistematização de idéias. De maneira geral, eu acabo sendo constantemente acometido pela prazerosa sensação de entendimento, de que minhas construções teóricas avançaram. Em outras palavras, as férias me presenteiam com epifanias, um bom número delas.
Já é sabido que eu tenho uma grande tendência a filosofar e que eu considero isso uma atividade extremamente importante e prazerosa para mim. No entanto, as aulas da faculdade constituem um mecanismo que demanda meu investimento intelectual. Elas me obrigam a pensar (em) determinadas coisas, o que inviabiliza que eu pense em outras coisas que me interessam mais e que fazem mais sentido para mim. Nesse sentido, as férias me libertam para pensar naquilo que eu quiser.
Ao longo do ano letivo eu sempre vou acumulando determinados conhecimentos, relações lógicas e pressupostos filosóficos que surgem no cotidiano acadêmico, profissional e pessoal. Esse material bruto eu acabo muitas vezes só tendo tempo de processar nas férias. A partir daí, meu treinamento no pensamento filosófico assegura que esses investimentos intelectuais dêem frutos. E dão! Me encontro atualmente colhendo saborosas epifanias.
Neste início de férias as epifanias foram tantas que uma delas me permitiu cunhar um termo que as classificasse à guisa de uma síndrome: poliepifaníase. Para completar, acrescentei o qualitativo aguda, para diferencia-la de uma hipotética poliepifaníase crônica. Afinal de contas, só me sinto assim em momentos específicos e de curta duração.
Só aguardo agora alguma epifania que me permita prolongar esse estado por mais tempo…

