É bem verdade que eu afirmei ter uma caralhada de coisas mais urgentes para fazer do que salvar o mundo. E isso é bem verdade, mas em alguns momentos eu mando tudo à merda e resolvo que salvar o mundo é mais urgente do que fazer as outras coisas. Logo, estou negligenciando meus deveres acadêmicos para escrever estas linhas, mais uma vez.
A História e a Sociologia nos ensinam que os eventos da humanidade não ocorrem isoladamente, mas sim estão inseridos em um contexto, uma conjuntura política e econômica em seus sentidos mais amplos. A partir disso eu penso que faz sentido que uma consciência planetária esteja surgindo agora, paralelamente com a Globalização e a interconexão dos países, assim como outrora a formação das consciências nacionais se deu com um salto no desenvolvimento tecnológico, expandido as possibilidades de acesso das pessoas e, portanto, seus horizontes.
Faz sentido também que essa consciência trans-nacional volte-se para as questões mais impositivas da sua época. Os primeiros sinais de uma organização desse tipo foram fruto da profunda dor e destruição deixados por duas guerras mundiais. Assim, em 1945, deu-se o estabelecimento das Nações Unidas, um órgão com muito potencial e muitas frentes de atuação. Medida ambiciosa essa nossa, não é mesmo?
Anos mais tarde, começa a surgir um novo direcionamento para as questões trans-nacionais; os desafios não mais eram tão políticos, sociais ou econômicos, mas sim físicos. As marcas deixadas pelo progresso da nossa espécie começam a materializar-se em proporções ainda não muito bem conhecidas, mas já temidas. Nós estamos alterando a própria estrutura do planeta Terra, preenchendo cada espaço de chão com nossas pegadas e deixando para trás um pacote vazio de bolacha recheada em cada canto isolado que ainda resta.
Em outras palavras, estamos alterando a mais ampla organização do Ecossistema de uma forma que não compreendemos muito bem, mas que não parece ser nada boa. Nesse contexto, o Aquecimento Global é apenas uma das coisas com as quais temos de nos preocupar. Cada vez mais, manifestações ambientalistas pipocam por todos os lados, pois é uma questão que não pode ser ignorada. A Internet cumpre seu papel, veiculando informações importantes e alarmantes com relação à nossa realidade imediata. Farei também a minha parte.
Como estudante de Psicologia, meu pensamento volta-se em boa parte para a relação que o indivíduo comum estabelece com tudo isso. Eu posso ver claramente que até a moda se apropriou da bandeira ecológica, promovendo a utilização de materiais reciclados e reutilizáveis. Diversas instituições também assumiram formalmente posições pró – meio ambiente, mas isso ainda está sendo um movimento fraco demais para reverter a situação; não atinge o núcleo do processo danoso. O sujeito comum até modifica alguns hábitos, mas de maneira geral não é algo que faça sentido para ele profundamente. O esforço de conscientização está sendo feito, mas é um trabalho árduo, pois as conseqüências das ações de uma pessoa perdem-se muito facilmente na imensidão do globo, que é onde a situação reverte em prejuízo para todos.
Mas a cultura precisa mudar em todos os níveis. As pessoas precisam reconhecer seu impacto ambiental. As lojinhas, os jornais, os bibliotecários, os donos de supermercado, os prefeitos, os marinheiros, os presidentes, as estrelas de Hollywood, as multinacionais de cerveja, todo mundo. Por que tanto? Porque o problema é real, é atual e afeta a todos de forma drástica.
Polêmicas do aquecimento global à parte, temos que reconhecer um fato: o planeta Terra é um só e todos vivemos nele. Cada pessoa humana consome recursos que são extraídos de algum lugar do planeta. O planeta é finito. Quanto mais pessoas existirem para consumir esses recursos, menos recursos restarão. Quanto mais a tecnologia avançar, mais recursos cada pessoa consumirá. Logo, eventualmente não vai mais ter planeta suficiente para todo mundo. O petróleo é um desses recursos ameaçados de extinção, mas há também o carvão, a água potável, o pasto, os cardumes, etc.
Talvez os recursos não acabem amanhã. Mas acabarão certamente enquanto sua extração continuar sendo maior do que sua capacidade de reposição, que em muitos casos é muito lenta. Agir é preciso, e seremos nós que teremos que cumprir essa tarefa. Desde a Guerra Fria que as nações do mundo competem nessa corrida desenvolvimentista, para que estejam no topo da lista dos países desenvolvidos, os países que mais crescem, os países de maior PIB, etc. Se não vamos nos matar diretamente, vamos pelo menos provar que o nosso ‘membro sexual’ é maior que o dos outros. Mas nessa corrida fálica desgovernada, quem está sendo fodido é o planeta. E, meus caros leitores, da última vez em que eu verifiquei, nós ainda fazíamos parte do planeta. Parece que não é totalmente absurdo supor que vamos acabar nos fodendo junto. Acreditem – é um fato.
Parece uma coisa engraçada pensar assim, até mesmo absurda, mas eu penso que todo verdadeiro ecologista deve ser a favor da recessão mundial. E não às escondidas, disfarçado de outras frentes de luta, mas sim abertamente: eu sou a favor da recessão mundial! Refrear o desenvolvimento a nível global é a única forma de limitar a intensidade do uso dos recursos naturais. É preciso, sim, em um nível macro, abrir mão de trocar de carro por um modelo mais equipado, comprar um ar-condicionado para o quarto, renovar todo o guarda-roupas, ou mesmo ir jantar naquela churrascaria cara que todo mundo diz que é bacana. Todos esses são sinais de boa-aventurança financeira, sinais de uma economia ’saudável’. Mas uma economia saudável é um planeta doente. Sim, pode parecer que eu estou sendo radical, e em parte estou mesmo. Mas medidas radicais são necessárias. É preciso que mudemos, não basta esperar que os Estados Unidos resolva banir a fabricação de SUVs e que a China resolva moderar sua expansão industrial. Todos somos parte do problema.
E não vou nem dizer que eu estou mudando radicalmente o meu modo de vida baseado nisso – não farei hipocrisias. Não estou. Ainda. Mas estou cada vez mais consciente da importância da questão e estou decidido a agir de algumas maneiras para contribuir. Fingir que nada está acontecendo somente me prejudicará no futuro próximo. A mim e a muitos outros. E eu ainda não terminei com essa história. Mais informações virão por aqui.


Me lembro de no colégio durante uma aula de Geografia minha professora já falar sobre essas coisas… Devia ser o que… 2001, acredito.
Eis que ao fim da explanação a professora pediu pra que todos dessem seu parecer em uma frase, aí eu soltei essa:
“olha, eu acho que já tivemos a era do desenvolvimento industrial, agora é a vez do desenvolvimento ecológico”
Claro que toda turma caiu na risada e disseram “Walter pro Partido Verde!!” eahueahuea mas foi uma frase que está mais verdadeira que nunca…
É verdade, o planeta clama pela nossa ajuda. Eu tento fazer o que posso também, mas com certeza ainda faço pouco.
Dizem que se nós virarmos vegetarianos, o planeta agradece muito. Mais cedo ou mais tarde averiguo isso.